Segunda Chance ManoGelis “Emoçoes” Cap 34

27 Apr

 

Foram interrompidos por gritos que iam ficando mais e mais pertos. Manu se voltou para a porta com pressa, os olhos ansiosos. Ah, saudade grande dos beijos babados pela manhã, do abraço de bom dia. De tê-la deitada em seu peito, exigindo um pouquinho de carinho. Da voz gostosa e rouquinha, abafada em seu pescoço.

 

Vale: Mãmae An! Nunu voltô. Voltô. – adentrou o cômodo correndo, empurrando a porta desajeitada, segurando a bolsa da mãe que encontrara no sofá. Falava com euforia e os olhos arregalados.

 

Parou por um instante ao vê-la ali, sorrindo e de braços abertos ao lado de Angelis. Outro grito fora dado. Correu e por sorte não caiu ao se desequilibrar por conta do peso. Em questão de segundos encontrava-se entre as pernas de Manu, abraçando-a pela cintura. A falta que sentia era grande e por isso se agarrou a ela com força. Tentou, atrapalhada, subir no colo dela e só conseguiu com a ajuda da mesma, que de pronto a envolveu bem apertado, deixando-a esconder o rosto em seu pescoço.

 

Manu: Eu voltei, meu amor. Saudade da minha Babynha menos é grande demais. – a beijocou no ombro e no pescoço. Não queria nunca mais soltá-la. – Que vontade de te apertar e apertar. Ai! Que saudade.

 

Como lhe agradava a sensação de ser mãe. De ter mãos tão pequeninas apertando seu pescoço, mexendo em seu cabelo. É. Nada poderia substituir momentos como estes. Trocaria qualquer coisa por eles.

 

Vale: Mãmaae… – fungou chorosa, se encolhendo e agarrando mais.

 Tudo no seu devido lugar. Como sempre deveria ser. Angelis tornara a ficar tranquila. Fechou os olhos por algum instante. Apenas ouvia os soluços baixinhos da filha, que eram, carinhosamente, sanados com todos os beijos e as palavras amorosas de Nunuzinha. Sabia o quanto a mesma estava arrependida por passar tantos dias distante, o jeito como acalentava a menina confirmava isso. Vale não queria soltá-la, os braços encontravam-se presos com força em torno do pescoço da mãmae nunu.

 

Olhou para o lado e viu a namorada sorrir em meio ao choro silencioso, lhe sussurrando que era culpa dos hormônios. Um beijo fora dado justamente em cima de uma lágrima, porém logo voltou a se afastar. Não queria atrapalhar o abraço tão apertado e aconchegante. Era tudo o que ambas queriam e precisam naquele momento. E, também, gostava de admirá-las como estavam.

 

Não poderia estar mais feliz. Sua família. Ao alcance de suas mãos.  Sentia-se pleno, novamente.

 

Nunca imaginara isso. Na verdade, nunca antes pensara em filhos, em casamento. Via-se bem como estava, porém, tudo mudou tão de repente. E gostava assim. Era feliz, e bastante, com tudo o que tinha. Não trocaria por nada, não modificaria uma linha sequer da história que se iniciara. Tinha dois filhos e os amava mais do que tudo, assim como sua futura e bela esposa.

 

É. Não lhe faltava motivos para sorrir.

 

Manu: Bebê, olha pra mãmae. – pediu, sem deixar de também fungar. Quando o seu pedido foi atendido, os nós de seus dedos passaram com delicadeza pelas bochechas molhadas. – Por que está chorando desse jeito? Eu estou aqui. Tudo isso é saudade de mim?

 

Vale: É. – disse entre soluços, grudando a testa na da madrasta. – Eu queria você, Mãmaain Nunu.

Coração de Manu de desmontou nessa hora, ela nao ficou longe esses dias porque quis mais sim porque depois da reação confusa de Angelis no primeiro momento que soube da gravidez, ela quis dar um tempo para ela pensar sozinha, por isso ela ficou longe uns dias.

Manu: Ai, meu amor, agora eu estou aqui. Não precisa mais chorar, tá bem? Eu não vou mais embora, vou sempre ficar aqui com você. Assim, abraçadinha, como gostamos. – fechou os olhos, segurando-se para não tornar a chorar compulsivamente. Estava tão sensível.

 

Vale: Vai bora não? Vamo binca? – balançou a cabeça, esfregando o nariz no dela.

 

Manu: Claro que vamos brincar. Mas só se você parar de chorar. – a olhou bem de pertinho e sorriu ao sentir as pequeninas mãos enxugarem suas lágrimas. – Nunca mais vou embora, meu amor. Vamos ficar juntinhos. A mãmae An, você e eu.

Quanto tempo passaram abraçadas? Manu não sabia. Apenas deixou que Valentina permanecesse encolhida em seu colo, queriam assim e então o fez. Como era bom estar de novo em casa, onde se encaixava perfeitamente bem. Onde se sentia amada.

 

Um sorriso bobo brincava no rosto de Manu ao notar noiva absorta. Angelis passava os dedos pelas linhas onde minutos atrás ela tinha escrito. Angelis também sorriu ao ver a mão dela buscar pela sua, apertando-a.

 

Da cozinha, onde terminava de preparar o café da manhã, Angelis ouvia a filha contando para Manu tudo o que fizera durante semana com ela e na escola. O que tinha feito na aula de ballet. Ouviu também ela contanto o porquê chorara antes de dormir na noite anterior e riu baixinho com os resmungos de Manu que não parava de se desculpar.

 

Quando tudo já estava pronto caminhou até a sala, onde elas se encontravam assistindo ao filme. Como não poderia ser diferente, permaneciam abraçadas. Valentina não queria soltá-la e Angelis sabia que nem tão cedo. Até abriu a boca para falar, mas tornou a fechá-las. Encostou-se a parede com os braços cruzados, vendo-as imitar as falas já decoradas, sorridentes.

 

Manu: Ai, como eu senti saudade de ficar assim com a minha menininha. De ver esse sorriso mais lindo.

 

O álbum. Ao ouvi-la acabou lembrando-se dele e das palavras que ali foram escritas. Eram simples, mas de extrema importância para Angelis. Recordara-se perfeitamente de cada letra ao ver Valentina encher o rosto de Manu com beijos. Com muitos e muitos beijos. Pela testa, as bochechas, o queixo, o nariz, boca e até mesmo por um dos braços, arrancado, assim, uma gostosa gargalhada de Manu.

 

“Desde o primeiro sorriso que recebi, minha vida mudou! A menininha que sempre sonhei. Passei a sentir um amor inexplicável…”.

 

A menininha delas, que em alguns meses teria companhia.

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