Seunda Chance ManoGelis “Nunu da Valentina” Cap 36

27 Apr

Manu: Então, você quer que Nunu fiquei aqui pra sempre? Quer que eu more com você e a mãmae An?

 

Vale: Eu qué! Vamos binca muito assim. – abriu os braços, mostrando o tamanho. – Vamos mimi garradinha todo dia. Pode?

 

Manu: Mas é claro que pode. Eu gosto! – lhe deu um cheirinho na bochecha, apertando-a.

 

Vale: Eu também. – olhou para cima, sorridente.

 

Ficaram quietinhas, abraçadas, com Valentina brincando com o anel de noivado de Manu. Depois de alguns minutos perguntou.

 

Vale: Mãmae Nunu, quem é seu amô? – agora brincava com um esmalte, rolando-o entre suas pequeninas mãos.  Tinha as costas grudadas no peito de Manu.

 

Manu: Você! Meu amor sempre vai ser a minha menininha mais linda do mundo todo.

 

Vale: Amô gande? – a olhou, enrugando o nariz.

 

Manu: Aham. Meu amor bem grandão.

Ao adentrar o apartamento, Angelis deparou com a noiva e a filha terminando de ajeitar a mesa entre uma conversa animada. Ainda tentou descobrir o motivo para as risadas, porém desistiu ao saber que era segredo. Ao lembrar-se, Vale fez questão de mostrar as unhas e enfatizar que estavam iguais as da Mãmae Nunu. Seu contentamento era nítido.

 

Manu terminava mais uma fatia da torta sem deixar o sorriso de lado. Divertia-se ao ver a brincadeira entre Angelis e a filha. Valentina se contorcia entre os braços de Angelis, que fingia querer morder a bochecha dela suja de chocolate.

 

Angelis: Espera, filha. Deixa a mãe dar só uma mordidinha. – a ajeitou no colo, voltando a inclinar a cabeça na direção dela.

 

Vale: Não, faz coquinha. – se jogou para trás, ao mesmo tempo em que segurava o rosto dela entre as duas pequeninas mãos. – MÃMAE! – gritou entre o riso ao ganhar uma fungada no pescoço.

 

Angelis: Hmmm… Parece tão gostoso. – tornou a ‘atacá-la’, fazendo-a rir muito mais. Vale tinha o rosto corado.

Minutos depois, quando Angelis já estava satisfeita e Vale lambia o doce dos seus dedos, Manu partia para a próxima fatia. O desejo era grande e a torta parecia estar ainda mais saborosa do que de costume. Poderia comer todo o restante sozinha, entretanto, ao sentir um desconforto, viu-se correndo para o banheiro. Seus companheiros dos últimos dias estavam de volta, os enjoos. Logo Angelis se posicionou por trás dela colocando os fios soltos do coque frouxo para trás, enquanto a mesma se debruçava sobre o vaso sanitário.

 

Vale: Nunu! – gritou com medo, parando ao lado delas.

 

Angelis: Valentina, espera lá fora. Anda! – ordenou um tanto nervosa e tudo piorou ao ver a filha tentar levantar Manu.

 

Angelis: Valentina, não! – a puxou para trás, que logo se soltou. – Ah, meu Deus do céu. – e, então, dessa vez a pegou no colo. A verdade era que estava desorientado, sem saber a quem acudir primeiro.

 

Vale: Não, Mãmae An! A Nunu. – se debateu na tentativa de voltar para o chão.

 

Manu: Leva ela. Eu me viro. – tossiu, voltando a vomitar em seguida.

 

Luísa: Pera um poquinho, pai. – tentou se segurar na porta, impedindo que Alfonso saísse. Queria chorar. – Eu vô ajuda.

 

Angeis: Não, filha, agora não pode. – se posicionou de maneira com que somente ela visse Manu. Falava rápido demais. – Tenta respirar com calma, Nunu. Não se desespera. Eu já volto!

 

Manu queria rir. Se desesperar? Estava calma e apenas enjoada, não desesperada. Angelis que ficara nervosa sem saber para que lado ir. Não queria nem imaginar qual seria a reação dela no momento da bolsa estourar. Ao ergue-se para escovar os dentes, sentiu a primeira vertigem do dia.  Apoiou-se na pia e terminou se assustando quando a porta tornou a abrir bruscamente.

Angelis: Como você está? Se sente melhor? – passou um braço ao redor da cintura fina, encostando o corpo dela ao seu.

 

Manu: Vale está chorando? – perguntou após assentir e ao ouvi-la fungar bem baixinho, o olhando através do espelho.

 

Angelis: Aham. Ela não queria te deixar. – olhando para fora do banheiro a procura da filha, e a encontrou espiando de longe. – Viu? Sua Nunu já melhorou.

 

Manu precisou de ajuda para ir até o quarto, pois ainda se sentia tonta. Ao sentarem na cama, viram grandes cachos escuros desaparecerem ao notarem que a dona deles fora descoberta. Valentina permanecia assustada. Não atendeu ao chamado da mãe, continuando escolhida e encostada na parede. Tinha medo.

 

Manu: Traz ela aqui. – respirou fundo, tentando controlar uma nova náusea.

 

A morena se afastou, indo até a porta.

 

Angelis: O que foi? Por que está se escondendo? – a segurou pela mão, puxando-a para dentro do cômodo. A menina permaneceu calada, encarando a madrasta com os olhos arregalados. – A mãmae nunu só está um pouquinho mal, mas já vai melhorar e ela precisa da sua ajuda agora.

 

Ela nada disse.

 

Manu: Vem cá. – estendeu a mão, que foi aceita sem hesitação.

 

Angelis: Manu, você precisa deitar. – disse por vê-la colocar Valentina no colo.

 

Manu: Já melhorei. Não é a primeira vez que tenho isso. Vá se acostumando. – retribuiu ao abraço, sentindo a boca melada grudada em seu pescoço e a bochecha molhada em seu ombro.

 

Angelis: Tudo bem, mas você está mais branca que uma vela.

 

Manu: Sua frouxa. – deu língua, sorrindo e apertando Vale que ainda fungava. – Ficou toda desesperada.

 

Angelis: É claro. Uma fica passando mal e a outra assustada. Vocês me deixam louca, sabia? – suspirou, finalmente relaxando.

 

Manu: Também te amamos.

 

Angelis: Agora deixa de gracinha e deita. E só levante daí quando se sentir verdadeiramente bem. Ou se quiser vomitar, é claro.

 

Manu: Ui! Desse jeito eu obedeço – se jogou para trás, levando a enteada consigo.

 

Angelis: Valentina, vem lavar as mãos e a boca, depois você volta pra cuidar da sua Nunu. E, enquanto isso, eu arrumo a bagunça na cozinha.

Em pouco tempo Manu se sentia bem melhor, já estava corada outra vez. Porém, mesmo assim não queria sair da cama, encontrava-se muito bem ali sob os cuidados da sua Vale que, sentada ao lado de sua cabeça, lhe fazia cafuné e cantava a nova musiquinha que aprendera na escola.

 

Manu: Você ficou assustada, meu amor, por ver a Nunu passar mal?– se virou de lado, passando o braço ao redor dela.

 

Vale: É. Eu não queria. – deslizou a mão carinhosamente pela bochecha de Manu.

 

Manu: Eu já estou muito melhor e tudo porque você está cuidando de mim. – sorriu, lhe dando um beijinho seguido de um cheirinho na barriga.

 

Manu permitiu que ela se afastasse e a observou escorregar o corpo pela cama, deixando assim seus rostos a pequenos centímetros de distância. Não pode evitar sorrir e fechar os olhos ao sentir o nariz dela esfregar-se contra o seu com tamanho chamego. Os pequenos dedinhos ainda passeavam pelo seu rosto com ternura.

 

Vale: Eu vô te ama muito, aí não fica dodói mais.

 

Manu: Ai, meu bebê. Eu também vou te amar muito, muito e muito. Sempre. – disse emocionada, com a voz chorosa.

 

Certas coisas jamais mudariam.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: